“A forma de atribuição de votos foi manipulada”
Depois do tão conturbado e contestado escrutinio para a direcção da FPR, e observando tudo o que se tem passado desde então, foi necessário obter as impressões de João Oliveira, o candidato que se mostrou disponível para tentar mudar o rumo de uma Federação sem rumo.
Fizemos uma pequena entrevista onde se pode observar uma pessoa com caracter e sem receios de dizer o que pensa e o que sente sobre tudo o que se está a passar no remo nacional.
Sabemos que impugnou as eleições. Justifica com o facto de terem havido vários clubes que tiveram 9 votos quando deveriam ter tido menos. Acha que as instâncias competentes lhe vão dar razão?
É provável que a primeira instância (a Comissão Eleitoral) não me dê razão, porque dois dos seus três elementos já permitiram a ocorrência de flagrantes irregularidades e ilegalidades no processo eleitoral.
Mas, mesmo que tal aconteça, a possibilidade de justiça não se desvanece. Com honestidade, ninguém consegue divisar razões para que as colectividades em causa dispusessem dos votos eleitorais que os serviços da Federação lhes conferiram; só mesmo o facto de terem sido usadas pelos interesses da lista da “continuidade” o pode justificar. Por isso, a determinada altura, alguma instância legal acabará por reconhecê-lo e dar-me razão.
Afirmou pouco antes de saber os resultados que à partida teria a maioria dos votos. Consegue perceber quais as razões que fizeram com que alguns clubes que lhe prometeram o voto, tenham mudado de opinião e votado na lista adversária?
Antes de mais, quero esclarecer que nenhum clube prometeu o voto à candidatura que integrei. A nossa maneira de nos relacionarmos com os clubes não passa por pedir os votos ou as promessas de ninguém, da mesma maneira que não passa por negócios de troca de votos por favores.
Afirmei que teria a maioria dos votos porque disso me convenci pela convergência entre as propostas da lista “devolver o remo aos clubes” e os pontos de vista e aspirações da grande maioria dos clubes de Remo e associações de classe.
Continuo a não duvidar dessa convergência. Não foram os resultados da votação de dia 21 de Fevereiro que a negaram. O que houve foi vários factores a contribuir para uma dissociação entre a vontade do Remo português e o que aquela assembleia eleitoral manifestou.
Em primeiro lugar, como já se viu, houve batota: a forma de atribuição de votos foi manipulada para dar jeito à lista da “continuidade” e não representa a realidade do Remo português.
Em segundo lugar, o impedimento da participação da Associação Portuguesa de Árbitros na assembleia eleitoral foi claramente motivado pelo receio que os dirigentes federativos tiveram de que os votos dessa associação não lhes fossem favoráveis (e o mesmo foi tentado, embora sem êxito, com a Associação Nacional de Atletas de Remo).
Em terceiro lugar, há clubes com fragilidades diversas que, mesmo sem concordarem com os métodos e atitudes da actual gerência federativa, são permeáveis às pressões e promessas que esta faz a troco de votos. Essas pressões significam, por vezes, ameaças e as promessas visam apenas retribuir o clientelismo. Não consigo evitar de pensar nos métodos de algumas organizações com raízes no sul de Itália.
Houve um empate na votação com clubes que tinham 9 votos. E perdeu de forma esmagadora para os clubes com menos expressão. Como interpreta estes números?
Os clubes que classifica como de “menos expressão” têm, na verdade, escassa ou nula actividade de Remo e, na maioria, não estiveram na Assembleia Geral eleitoral com vontade própria. Foram meros joguetes do pequeno grupo que controla a Federação, que lhes extorquiu credenciais de voto ou os convenceu a votar na sua lista com argumentos que, até que me provem o contrário, estou convencido de que em nada respeitaram a justiça e a transparência da gestão federativa.
Há quem diga que a FPR tem um estrondoso buraco financeiro e não tem dinheiro para cumprir com os seus compromissos. Caso consiga levar de vencida a batalha, o que pensa encontrar na FPR? E de que forma vai conseguir cumprir com os compromissos, como por exemplo pagar despesas aos Árbitros ou cumprir com os contratos-programa firmados com as Associação e que ainda não foram pagos?
A avaliar pelas dívidas que se conhecem, a lista em que me integro espera encontrar, de facto, um importante problema financeiro na FPR. A opacidade que tem caracterizado a acção da direcção da FPR contribui para criar fortes receios sobre a saúde financeira do organismo. Por isso anunciámos desde sempre que, entrados em funções, procederemos a uma auditoria que permita retratar exactamente a situação.
De qualquer modo, connosco, três coisas serão certas. (1) Os compromissos institucionais, independentemente de quem os tenha firmado, são para cumprir. (2) Seja qual for a situação, dela informaremos com verdade e rigor o Remo nacional. (3) Todas as medidas de saneamento que se revelem necessárias serão justas, equitativas e transparentes - a haver sacrifícios, não será só para alguns, nem o amiguismo, o clientelismo ou o pagamento de favores serão alguma vez critérios para criar beneficiados ou privilegiados.
Por último, que mensagem poderá deixar a todos os que o apoiam, caso consiga abraçar a direcção da FPR?
Infelizmente, o que está a acontecer no Remo português não é uma simples disputa eleitoral entre duas equipas com propostas diferentes.
Do que se trata, neste momento, é de libertar uma modalidade histórica, plena de predicados sociais e educativos, do controlo por parte de quem, num exercício de poder autocrático que assume foros patológicos, declarou guerra a todos os que gostam deste desporto e o interpretam correctamente.
A candidatura “Devolver o Remo aos Clubes” é apenas uma faceta de um movimento muito mais vasto, que vem de dentro do Remo para o reconduzir a breve prazo ao caminho normal e de virtude de que o têm tentado afastar.














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